[Fanfic Eyeshield 21] Recomeçar - Capítulo 70: RÉDEAS DE LEALDADE

 


Eyeshield 21 e Todos os personagens utilizados na história não pertencem a mim, os créditos vão para seus respectivos autores.

Lembrando que: “diálogo normal”, “pensamentos”, “VOZ INTERIOR HIRUMA”, “INTUIÇÃO HIRUMA”. “escrita”.

Eu quero agradecer a todos que estão seguindo esta história, como sempre eu digo eu escrevo para me divertir e é bom saber que vocês estão se divertindo também.



CORRIDA 70-  RÉDEAS DE LEALDADE

“Se a paixão conduz, deixe a razão segurar as rédeas.”― Benjamin Franklin

O liderado sempre será reflexo de sua liderança. Então quem espera lealdade, primeiro deve ser leal.” – Flávio Augusto

A lealdade é uma via de mão dupla.” – Harvey Specter

Sena acordou com uma sensação dolorosa. Não era apenas física, mas como se uma pessoa preciosa tivesse desaparecido e não houvesse como encontrá-la novamente. A dor da despedida doía mais do que a dor em seu útero. Para aliviar o coração pesado, Sena abraçou sua gata Pitty, que dormia profundamente ao seu lado. Quando seu coração finalmente se acalmou, ela olhou para o relógio e percebeu que ainda era meia-noite. Era muito cedo ou talvez muito tarde. No entanto, Sena não conseguia mais dormir.
Então, decidiu seguir o exemplo de Kurita e ir treinar. Sena deu um último abraço em sua gata adormecida e vestiu sua roupa de treino. Desceu as escadas em silêncio, sentindo-se estranhamente concentrada.

Lá fora, não havia lua no céu e tudo parecia muito escuro. Mas ela estava sintonizada. Seu haki de observação a permitia sentir o toque do vento, enxergar a beleza das coisas escondidas na escuridão. Ela ouvia respirações suaves ao redor, sentia a felicidade e a paz que emanava dos seus pais dormindo.Também percebia que o vizinho da frente jogava videogame, enquanto a senhora idosa do lado dormia em paz,sonhando algo bom. Sena permitiu que aquele sentimento bom fluísse por ela, entorpecendo a dor em seu corpo e coração. Esse truque era eficaz e ela sentia que o usaria muitas vezes.
Começou a vagar, perdida, coletando esses sentimentos bons e deixando-se levar até que a tristeza, o desespero e a dor a atingiram em cheio. Qualquer um, ao ser tomado por sentimentos tão intensos, fugiria. Mas havia algo familiar naquela dor ,algo que fazia Sena parar e prestar atenção. Em meio àquela angústia pesada, havia solidão.A mesma solidão que ela sentia antes do futebol, a solidão de não se encaixar, a solidão de nunca se sentir aceita, a solidão que desapareceu quando um demônio a capturou e lhe ordenou correr.

Tudo o que Sena queria Hiruma sem saber lhe deu, Hiruma lhe deu uma chance de mudar e Sena sabia que sem aquela chance, a dor que sentia agora teria sido sua única companheira.Talvez por isso, em vez de fugir, ela se aproximou da dor. Foi assim que chegou ao parque onde costumava correr e ali, embaixo de um arbusto, havia um pássaro.

O pássaro era pálido e coberto de feridas, seus olhos estavam esbugalhados, cheios de dor, as poucas penas que restavam estavam manchadas de sangue e sujeira. Qualquer um que o visse provavelmente se sentiria enojado ou acreditaria que ele estava prestes a morrer.Qualquer pessoa razoável viraria as costas e deixaria aquela criatura horrível ao próprio destino, mas Sena não era qualquer um. Por isso, aproximou-se devagar, para não assustá-lo. Ajoelhou-se e estendeu a mão para o animal ferido. O pássaro, assustado, bicou sua mão com força. Ela sentiu a dor, sentiu o machucado… mas não se afastou.
Apenas sorriu e disse baixinho “Eu sei que está doendo. Eu entendo. Também já me senti assim. Por favor… me deixe ajudar.” O pássaro parou de bicar ele estava tremendo, mas agora observava Sena com atenção.
Com cuidado, ela acariciou uma parte do corpo que não estava ferida e diz “vai ficar tudo bem, vou te ajudar, só preciso de um momento.”

   Sena rasgou um pedaço da própria blusa e improvisou uma pequena bandagem e com delicadeza, começou a estancar o sangramento do pássaro.Quando terminou, olhou para ele com ternura e disse “Você não pode ficar aqui no chão. Gatos ou cachorros curiosos podem acabar te machucando ou aqueles ratos assustadores podem tentar te comer. É melhor voltar para o seu ninho.” O pássaro piou e Sena com um sorriso triste diz “eu entendi você não tem uma casa…Bom, nesse caso, vou encontrar um lugar onde possa se esconder até decidir onde construir sua casa.”

Com cuidado, colocou o pássaro sobre a própria cabeça, o pássaro se equilibrou e aos poucos relaxou e piou e Sena com uma gota de suor diz “Fico feliz que meu cabelo esteja confortável…Agora, fique calmo. Acho que conheço um lugar seguro não muito longe daqui” Sena se levantou, caminhando com o passarinho na cabeça, até uma árvore alta e cheia de galhos.  Parou diante dela e falou “Aqui deve ser seguro. É uma árvore alta, com muitos galhos para se esconder”. Sena, com determinação, começa a escalar a árvore com cuidado para que seu amiguinho pássaro não piore seus ferimentos. Ela sobe de galho em galho, com delicadeza e precisão, até alcançar um ponto coberto por folhagens densas, mas que ainda permite uma boa visão do céu e das pessoas que passam lá embaixo.

  Sena analisa e comenta “aqui parece bom…Nenhum animal vai te perturbar, e se você vir um humano ruim, terá tempo para fugir. Sena rasga mais um pedaço de sua roupa e com cuidado, molda um pequeno ninho de tecido entre os galhos. Quando sente que o trabalho ficou razoavelmente aconchegante, ela retira o pássaro da cabeça com toda a delicadeza. O pequeno animal parece mais tranquilo agora. Ainda ferido, mas seus olhos já não estão tão desesperados  há uma centelha de esperança. Sena sorri com ternura e comenta “sabe eu não posso fazer muito mais por você…” a voz dela suaviza e ela continua  “Mas posso cantar,  isso pode te ajudar a se sentir melhor. Sabe quando eu era criança, e ficava doente ou miserável, meu pai cantava para mim. Ele não era um bom cantor, mas aquilo sempre me fazia sentir melhor.” O pássaro inclina a cabeça, curioso e Sena ri baixo, imaginando como ele seria encantador quando estivesse completamente curado. Então, com um sorriso gentil e cheio de carinho, ela começa a cantar, deixando sua voz fluir com doçura naquela noite sem lua.

******************

Shin Seijuro tinha um problema, não era algo de grande gravidade, apenas não conseguia dormir naquele momento. Ainda era muito cedo, mas o fato de não conseguir relaxar poderia prejudicar sua rotina de exercícios, ele decidiu levantar da cama e ajustar sua agenda  mais tarde. Vestiu sua roupa de treino e, por cima, uma jaqueta branca com capuz, já que o clima estava começando a esfriar. Saiu silenciosamente do quarto no internato e começou a correr. Geralmente, quando corre, sua mente está totalmente focada na corrida. Mas hoje, algo estava diferente. Ele se vê pensando em muitas coisas que estavam por acontecer naquela semana.

  E ele reflete “Hoje nossa turma começou os preparativos para o festival…Desta vez, minha função é carregar o material da exposição. Vou fazer isso bem feito.” Seus pensamentos continuam fluindo “Também preciso treinar minha parte na apresentação do hino. Sakuraba está me ajudando nisso e ele disse que ainda preciso melhorar. Não posso decepcionar o técnico... já fiz um pedido egoísta, não só uma vez, mas duas. Ele foi muito gentil comigo. Por isso, não posso fraquejar.”, Os seus olhos se firmam com mais intensidade e ele pensa “Em breve, vou usar a Balista. Fiquei frustrado por não ter conseguido usá-la no torneio da primavera contra os Nagas… Mas me senti realizado ao ver meu rival vencer.”

Deimon venceu Agon. Este simples fato acende uma chama no peito dele e ele diz “Kobayakawa Sena…minha  rival venceu. Agora, a nossa promessa vai se cumprir. Eu estou pronto graças a  Katiane Riku, Kobayakawa Sena, ele vou te dar o meu melhor,  darei tudo de mim em nosso jogo”.  Expressar em palavras gera uma fome dentro dele, uma ansiedade que o impulsiona e ele acelera os passos. O vento frio batia no rosto, mas ele nem sentia, neste momento há um sentimento que ele não consegue compreender.

No sábado e no domingo, ele a viu de longe, mas não foi o suficiente. Parte dele ainda estava inquieta ele murmura “Quero ver Kobayakawa Sena de perto…Não preciso conversar. Tudo que preciso… é vê-la. E mostrar a minha intenção”. Ele suspira, Shin nunca se preocupou com um adversário antes, tudo é tão estranho. Ele reflete “Desde que vi os olhos dela na nossa primeira corrida, sinto algo diferente. Nem mesmo Sakuraba, que é o  meu melhor amigo, me faz sentir tanta inquietação... como devo lidar com isso…Talvez eu só precise seguir o exemplo do Ootawara-san…” Ele para de correr e toma uma decisão e diz “Vou analisar isso depois que vencer o jogo.” chegando a esta resposta Shin limpa os pensamentos e se concentra novamente na corrida.
Mas então uma  voz familiar ressoa e assim que ouve o som, seu corpo reage por instinto e ele muda de rota e para diante de uma árvore frondosa,não há luar, mas ele sabe que ela está ali ele levanta o rosto e ver uma silhueta sentada em um galho, entre as folhas, está Kobayakawa Sena cantando  e ele observa em silêncio e admiração.  Pois Shin sente o mundo silenciar para ouvir a voz encantadora  ele sente seus músculos relaxam sente sua ansiedade desaparece e ele se sente grato por estar ali  e pode apenas ouvir-la cantar.

Ele  reflete “Ela está focada em algo… Devo ver o que é? Talvez, se chamou a atenção dela, seja importante.Mas…” Os olhos dele não conseguem desviar da silhueta, da voz suave que preenche o espaço vazio. Shin sente como se seus próprios sentimentos ganhassem forma como se as palavras dela expressassem o que ele nunca soube dizer e nada é mais importante que isto e ele com absoluta certeza pensa “Ela é única. A única no mundo que pode fazer isso comigo” Tudo está tão escuro mas ele pode sentir o sorriso dela brilha nas trevas.Então, ela canta mais alto, ele pode ver ela se despedindo para algo.

Shin sente que algo voa em direção aos céus, mas na escuridão não consegue distinguir que tipo de pássaro era. Quando a última palavra da canção ecoa, o encanto que parecia afastar sua rival do mundo se dissipa e ela o nota  e ele pode sentir toda atenção de sua rival, a visibilidade ali não é boa, mas ele sente que sua rival está machucada ainda assim, seu corpo vibra com energia. Por algum motivo que ele não entende  a sensação que ele tem é clara “KOBAYAKAWA SENA VIVE!”. Ele não sabe de onde esse pensamento veio. Só sabe que ele precisa fazer algo. E é por isso que seus braços se erguem em direção a ela.

Sena parece confusa por um instante, mas logo ele sente a sensação de diversão fluir dela e então ela  se joga. E logo Shin está com os braços cheios de sua rival, ele pode tocá-la, ele pode sentir seu perfume, ele pode ver a sua existência E tudo que falta para provar que ela realmente está ali é ouvir sua voz mais uma vez e Shin com a voz embargada diz “Seja bem-vinda”  e Sena com a suavidade responde “Estou em casa”. Por um momento, os dois se olham em silêncio, conectados por algo profundo.Então o instante passa e Shin a coloca gentilmente no chão, tira seu próprio casaco e o envolve nela com cuidado.Ele está prestes a dizer algo mais, mas um grunhido ameaçador ecoa pela escuridão,interrompendo suas palavras. Ambos se viram na direção do som e notam que  rompendo as trevas  vem um cão infernal.

***************************

Ele se lembra bem daquela noite. Não havia lua no céu, e as estrelas estavam encobertas por uma neblina que cheirava a desespero.Os gatos corriam e se refugiavam em casa, tremendo de medo.Os pássaros se escondiam, tentando de tudo para escapar de um perigo terrível, um perigo que, até então, ele não compreendia, mas que, depois daquela noite, nunca ousou esquecer. Naquela noite, sua mãe normalmente feroz  estava assustada.Ela os instigou, a ele e aos irmãos, a fugirem e se esconderem no lixo.
Seus irmãos faziam barulho demais e ela os silenciou com um olhar. Seu irmão mais velho ajudou, e ele tentou ao máximo não preocupar sua mãe.

Mas ele era curioso.Por que sua mãe, que nunca temia nada, estava com medo? Por que todos os animais pareciam se preparar para algo, enquanto os humanos agiam normalmente? Alguns dormiam.Outros festejavam sob a noite coberta de névoa. Foi então que seus pelos se arrepiaram. Seus ouvidos se alinharam com um som agudo e irritante. Seu focinho captou um cheiro que, no futuro, ele aprenderia a associar com a morte. E ele viu. As sombras que tornavam-se humanas e corriam pelos becos e casas.Uma dessas sombras segurava uma arma e saia para caçar algo ou alguém. Ele era apenas um filhote,mas  já sabia que aquilo não deveria existir. Aquilo era algo que destruiria tudo o que tocasse. Quando as sombras foram embora, ele achou que tudo ficaria bem,mas então, sua mãe o empurrou para fora da lixeira com força e gritou “Corra!” Ela deu a mesma ordem aos seus irmãos.Ele hesitou. Foi desobediente. E se arrependeria para sempre. Porque naquele breve atraso, sua mãe se colocou entre ele e o horror que se aproximava.

Dói pensar nisso.Dói lembrar da imagem de sua mãe , sua  mãe feroz que enfrentava qualquer coisa sendo sugada por aqueles malditos pássaros sem cabeça. Seu irmão mais velho o agarrou pela pele do pescoço e o obrigou a correr e ele correu. Chorando, mas correu e  a última coisa que viu foi sua mãe sendo engolida pelas criaturas deformadas e viu os malditos terem  suas asas crescendo enquanto  os movimentos da mãe diminuem, até cessarem por completo. Seu irmão não parava de rosnar: “Não olhe para trás. Corra!”. Desta vez, ele obedeceu.

Os outros irmãos tremiam de medo.Por onde passavam, mais pássaros surgiam horríveis, grotescos, com as cabeças arrancadas, mas ainda assim caçando. E onde eles pousavam, algo morria. Os animais morriam mais rápido, os humanos enlouqueciam e  atacavam tudo e todos ao redor e depois, punham fim à própria vida. Ele era o mais novo entre quatorze irmãos. Durante um dia e uma noite, eles foram caçados pelas pragas sem cabeça. No final, restaram apenas ele e seu irmão mais velho.

A última coisa que seu irmão fez foi escondê-lo dentro de uma caixa e chamar os pássaros para longe.
Ele se lembra da dor  de ouvir os lamentos, os gritos abafados do corpo sendo atropelado por um carro, e então, do som nojento das criaturas se alimentando dele. Ele lembra da fome, das feridas causadas por humanos possuídos, do desespero de ser fraco ele lembrar de  estar completamente sozinho, ele era o último de sua família. Não tinha mais matilha.Não tinha mais ninguém. Lembra de erguer os olhos para o céu e ver as nuvens, não de chuva, mas de pássaros com asas enormes e entre eles… ele reconhecia, pedaços, cheiros partes de sua família. Aqueles seres se alimentaram da família dele e agora, vinham em sua direção.

Foi nesse momento que a dor virou raiva, uma raiva incômoda, viva, selvagem e incontrolável.Ele odiava os pássaros malditos. Queria destruí-los como destruíram tudo que ele amava então, ele uivou. Uivou de lamento, Uivou por sua matilha. Uivou com tudo que restava de si e os malditos pássaros explodiram. Um por um, estouraram no ar como se fossem perfurados por uma força invisível.Transformaram-se em pó e quando ele percebeu  à sua frente havia um humano com presas e uma baleia humana. Ele sabia que o humano com presas destruiu todos os inimigos, sem esforço, sem piedade e este humano lhe deu uma escolha ficar com ele ou seguir sozinho e ele escolheu ficar. Naquele dia específico, o humano com presas tornou-se o seu humano e  naquele dia seu humano lhe deu o nome de Cerberus.

Sob esse novo nome, ele aprendeu muitas coisas, seu humano o treinou, alimentou, protegeu e lhe deu algo que ele pensava ter perdido para sempre,uma nova matilha.Era uma matilha pequena, estranha mas era dele e ele nunca a abandonaria. Ainda assim, a dor do passado não desaparecia. Ele ainda odiava os pássaros sem cabeça e queria acabar com todos, como havia feito com seus irmãos. Mas quando tentou, movido pela raiva, ele quase morreu e o pior de tudo, seu humano com presas apesar de poder matar os desgraçados não podia ver os pássaros, eles só existiam para Cerberus.

Mesmo sem ver, o seu humano entendeu, ele viu a dor em seus olhos, a fúria silenciosa, o desejo de proteger que ele tinha e então seu o humano começou a treiná-lo. Ele ensinou Cerberus a lutar contra outros animais. Ensinou a prever movimentos, a usar o próprio corpo como arma o ensinou a observar, a esperar e a atacar no momento certo. E Ele treinou  movido pela raiva pela a sua família passada e movido pelo amor por sua nova matilha. Cerberus entendeu, Ele ainda não era forte e não podia se dar ao luxo de continuar fraco. Não apenas pela vingança mas porque agora Ele tinha algo a proteger.

Seu novo bando era todos jovens e para sua surpresa, ele era o mais velho do grupo. Mas ser o mais velho não o tornava o mais forte. Mesmo agora, ele não era capaz de protegê-los como seu irmão o fez, ele ainda era fraco demais.  Seu humano com presas também não era fisicamente poderoso, mas havia algo em sua forma de lutar, algo que fazia até os homens mais fortes, os animais mais selvagens e até os pássaros sem cabeça tremerem e recuarem e Cerberus decidiu aprender. Observar Imitar.Se ele não podia ser o mais forte, então seria o mais inteligente.
A cada dia, ele treinava e ficava mais rápido,mais preciso, mais determinado, mas ainda não era o suficiente ele ainda não conseguia matar os pássaros.Cerberus precisava ir além. Precisava aprender a caçar como seu humano fazia. Cerberus queria fazer o mesmo. Queria vencer os pássaros, queria proteger sua matilha, como seu humano protegia os seus.


Então Cerberus observou e logo percebeu algo curioso. Seu humano com presas tinha uma barreira natural. Era difícil de entender, até mesmo para o faro de Cerberus.Mas ele via os pássaros sem cabeça caíam mortos só de se aproximar. Era confuso. Mas Cerberus ficava feliz. Adorava ver os pássaros gritando e sendo esburacados apenas pela presença do seu humano. Infelizmente ele não podia copiar aquilo. Cerberus não era humano. Não tinha a “barreira” invisível. Então, seguiu observando. Foi aí que percebeu outro detalhe. Quando a baleia humana falava muitas palavras, os pássaros ficavam esmagados em pencas. Cerberus adorava isso, no entanto Cerberus não sabia falar palavras humanas. Aquele também não era o seu caminho.

Depois, observou o samurai velho,ele era diferente pois vivia por regras rígidas. Tão rígidas que, por elas, teve que deixar o bando. Mas Cerberus viu algo interessante,se um pássaro se aproximasse dele era retalhado de forma dolorosa. Isto protegia o velho samurai, mas deixava o velho e  seu bando infeliz. Cerberus entendeu que aquilo não era a força que ele queria, o significado do nome de Cerberus era  de um cão guardião, ele era agora o guardião de seu bando. A arma do samurai era poderosa, mas deixava o bando triste e Cerberus não precisava de uma arma assim. Cerberus ficou frustrado e  treinou seu corpo tanto quanto podia,mas como ele deve lutar contra algo que ele nem podia tocar? O que ele deveria fazer? Tinha medo de que, um dia, seus companheiros de bando ficassem indefesos e fossem consumidos pelos pássaros como sua primeira família. Enquanto procurava uma solução,sua resposta veio na forma de uma menina-gato. Uma menina gato muito estranha que desde o início amou Cerberus com todo o coração, era a primeira vez que um gato gostou dele,no entanto não era algo ruim.

Só o fato dela o amar lhe tornou bando, Mas foi o modo como ela tratava seu humano com reverência,
o modo como ela fazia o bando crescer, que o lembravam de sua mãe.Ela era uma gata muito pacífica e amável Mas, se alguém ameaçasse o bando, ela se tornava tão aterrorizante quanto sua mãe. No fim, assim como a menina-gato amava Cerberus,Cerberus também a amou. Ele era o mais velho da matilha  e ele seguiu o exemplo de seu bom irmão e  não demonstrava carinho abertamente,pois assim ele passaria uma boa impressão para seus irmãozinhos estranhos de bando. No bando o respeito é importante, mas ele mudou de ideia  quando, em mais um ataque falho contra os malditos pássaros, a voz dela soou e atraiu todos aqueles horríveis monstros alados. Ela os atrai como se fosse uma luz irresistível que os insetos perseguem e assim como os insetos os pássaros gananciosos foram até ela  e encolheram até não restar nada.

Ela o salvou de mais uma derrota humilhante. Cerberus, espantado, perguntou como ela havia feito aquilo.A gata, assim como a maioria dos humanos, não podia ver os pássaros. Mas ela disse que se sentia triste. E, então, cantou para se alegrar. Cerberus ficou desapontado, ele não poderia cantar  mas ela sorriu e o abraçou e ela o ensinou a usar a própria voz. Ela o treinou e ele conseguiu matar um pássaro. Não foi nada parecido com o jeito dos humanos, mas foi um passo à frente no seu objetivo. Finalmente, ele tinha uma arma para proteger sua família, num certo dia a gata trouxe um macaco para seu bando. No início, Cerberus não entendeu o porquê. Mas quando viu o macaco praticar, tudo fez sentido. Ele finalmente entendeu o que a garota-gata havia tentado explicar.E assim, ele melhorou sua arma.

Hoje era como naquela noite, as sombras tomavam forma de humanos e saíam para causar destruição e assim como naquela noite, os pássaros sem cabeça surgiam dos buracos das trevas, deixados pelas próprias sombras. Alçavam voo na noite sem luar,tudo parecia igual. Mas Cerberus não era mais um filhote indefeso, ao ver as aves malditas ele escondeu seu amigo Porquinho no depósito de armas, garantindo que ele estaria seguro. E então, ergueu os olhos para o céu escuro, sentiu sua respiração se acalmar, e começou a reunir energia. Todas as memórias felizes, tristes, furiosas, esperançosas passaram diante dele como um vendaval. E então, Cerberus uivou com todo o seu ser. E, assim como seus humanos…Cerberus venceu ele queimou todos os pássaros malditos até que restassem apenas cinzas.Porque ele era Cerberus, o guardião do inferno e ele protegeria seu bando com a sua  vida.

Foi assim que a caçada começou, Cerberus correu pelas trevas, destruindo inimigos com fúria silenciosa, até que o sentiu o cheiro de sangue,sangue do bando ele seguiu o rastro até encontrar a menina-gata e  o Golem de Carne e Cerberus rosnou Ninguém tentaria roubar  seu bando. O Golem de Carne  estava tentando seduzir sua gata, fingindo ser parte do bando, ele não ia deixar. Cerberus uivou mais uma vez, A menina-gata parecia confusa e preocupada com ele mesmo ferida a  menina se importava com outros  se continua-se assim o golem  de carne  a enganaria, Cerberus saltou e tentou agarrar o pescoço do intruso com os dentes,mas o desgraçado desviou no último segundo.

Ele já se preparava para o segundo ataque, quando a gata voz trêmula diz “Cerberus… não fique bravo. Por favor. Vamos para casa…” Cerberus queria acabar com o Golem de Carne ali mesmo,mas alguém do bando estava  sangrando e estava com dor, seu bando precisa dele e então ele se aproximou dela, farejou seus ferimentos. A menina-gata tenta devolver a pele humana ao Golem de Carne, mas o golem recusa e vai embora. Era óbvio que o golem estava marcando sua gata. Cerberus sabe que não ensinou direito seu humano com presas e isso abriu espaço para outros humanos. Mas ele vai corrigir isso hoje.

Ele fala para a gata segui-lo. Ela o segue, ainda que devagar. Cerberus sabe que ela está com dor, mas só pode consolá-la num lugar seguro. Quando ambos chegam à toca, Cerberus faz a menina se deitar no sofá confortável. Como ela ainda está vestida com a marca do humano teimoso, ele lambe o rosto da gata, para que ela tenha a marca do bando e possa se sentir segura, apesar da dor. Cerberus é um bom irmão mais velho e sob seus cuidados, a gata adormece. Agora, ele precisa que seu humano com presas venha logo, para que possa ensinar como se marca um bando de verdade.

**************************

O som do celular o acordou. Era apenas 12h40. Ele esperava que qualquer filho da puta desgraçado que achou uma boa ideia ligar justo quando ele finalmente conseguiu dormir tivesse um bom motivo. Ao olhar para o celular, ele reconheceu o número: era o de Cerberus.Ensinar aquele maldito cachorro a ligar tinha sido uma dor na bunda.Mas valeu a pena. Já salvou não só a pele dele, mas de Kurita e  Musashi também. Ele atendeu e do outro lado da linha, Cerberus latiu o código: ajuda. Ferido. E desligou.Ele nem pensou duas vezes.

Levantou na hora,pegou suas armas, vestiu sua roupa preta e abriu o notebook. Digitou o comando do localizador de Cerberus e no mapa estava a escola, mais especificamente o Clube Deimon. Sem perder tempo, enfiou o que podia numa mochila kit de primeiros socorros, mais munição, reforço de lâminas e um energético. Saiu do esconderijo número 6, subiu na moto e disparou pelas ruas, cortando o vento como uma bala. Cerberus nunca liga à toa.E se ele latiu o código de “ferido”...Alguém realmente tinha ferrado com o bando. Quando Hiruma chegou ao clube, a visão o pegou de surpresa. No sofá, Sena dormia encolhida, abraçada a Cerberus como se ele fosse seu porto seguro. O cão estava completamente alerta, corpo tenso, olhos fixos na porta. Um verdadeiro guardião. Hiruma reconheceu que aquele comportamento era o mesmo de quando tentaram ferrar com Kurita.Cerberus só ficava assim por alguém do bando. Alguém que ele considerava dele e  Hiruma era igual.

Ele não costumava admitir, mas quando alguém machuca aquilo que ele considera seu, tudo dentro dele grita por destruição. Foi assim com Kurita. Foi assim com Musashi. Foi assim com Cerberus.E, embora relutante, ele estava começando a sentir o mesmo com esse time de idiotas. Mas nada o preparou para ver a chibi  que está sempre cheia de energia e com um sorriso no rosto, agora sem energia e choramingando de dor. A necessidade de proteger e de destruir o responsável, irradiava dele como fogo.

E então ele viu a jaqueta branca que pertencia a um certo cavaleiro  e ele odeia, ele odeia lidar com sentimentos. Sentimentos eram confusos, pegajosos, perigosos, mas ali, naquele momento, não havia confusão alguma. Só havia propósito. Ele se dirige até o sofá e Cerberus sai dos braços de Sena, permitindo que ele se aproxime mais. Sena abre os olhos e Hiruma jamais admitiria, mas ele adora os olhos dela. Os olhos de Sena carregavam uma confiança nele que nem Kurita, Musashi ou mesmo os próprio pais demonstraram e Sena, mais uma vez, confirmava isso apenas ao olhar para Hiruma. Depois de beber daquela confiança e devoção, ele diz “Volte a dormir.” Sena obedece, confiando nele com o corpo e a alma, mostrando não com palavras, mas com atitude, o quanto acreditava nele.

Isso gera nele uma felicidade, um prazer, uma satisfação e, por algum motivo, um senso de responsabilidade. Aquele sentimento era tão precioso e raro que ele não queria fazer nenhuma besteira para perdê-lo. Ele a ajuda a retirar a jaqueta branca, joga-a para Cerberus e diz “De fim nisso”. Cerberus alegremente começa a fugir com a jaqueta. Então, Hiruma coloca a jaqueta negra sobre Sena, e uma onda de prazer percorre seu corpo. Neste estado feliz, ele manobra a Chibi para deitar em seu colo. A gatinha se ajeita, alinhando-se perfeitamente sobre ele, enquanto seu rosto bonito e relaxado se aninha contra suas pernas, formando uma imagem encantadora. Hiruma, então, retira o celular de um dos muitos bolsos e tira uma foto do rosto adormecido de seu pet.

Este celular é especial, pois contém apenas fotos de sua gata. Hiruma nunca havia entendido o hábito que muitos donos de animais têm de acumular milhares de fotos de seus bichinhos ,nem mesmo Cerberus havia despertado isso nele , até se ver fazendo o mesmo com as fotos de Sena. Todas eram diferentes: ele documentou tudo desde que ela entrou no clube , seu primeiro touchdown, sua primeira vitória, o dia em que ela e Cerberus se conheceram. O mais engraçado é que a ideia começou no segundo dia em que eles se encontraram, logo após o recrutamento dela para o time. Foi um caso estranho de déjà-vu: a memória surgiu de repente, idêntica e bizarra. Ele estava conversando com ela quando a lembrança apareceu e passou, mas junto veio a sensação nítida de estar sendo observado.

Ele pediu para a Chibi ajudar a baleia, e, assim que ela se afastou, a sensação de observação foi com ela. Seguindo o instinto e a lembrança, ele se afastou do campo, deu a volta silenciosamente e, exatamente como na memória, encontrou um cara tirando fotos de Sena de forma obsessiva. Assim como lembrava, ela encostou a pistola na cabeça do desgraçado que, ao notá-lo, parecia ter visto o próprio diabo. Mas não estava com medo dele, apenas preocupado com a possibilidade de o diabo roubar algo seu. A sensação ficou ainda mais forte. Depois de capturar e amordaçar o sujeito, ele pegou a câmera fotográfica  que parecia um equipamento caro e verificou a galeria. Havia fotos de Sena lendo um livro, brincando com a gata, comendo doces, correndo… todas com qualidade profissional. Sena parecia uma modelo extremamente atraente. Não havia nada que pudesse ser usado como chantagem naquelas imagens, mas Hiruma não conseguiu tirar os olhos delas.Sem pensar duas vezes, removeu o cartão de memória e guardou para si. Depois de se livrar do fotógrafo, organizou as fotos em um caderno especial, reservado apenas para aquilo.

Quanto ao cara, ele obviamente o chantageou e escravizou o filho da puta. Só que esse desgraçado teimoso ainda teve a audácia de se mudar para a frente da casa de Sena. Então, se ele puniu o cara além do que era “normal”, a culpa foi do próprio infeliz. No entanto, o vício já estava criado, e ele estava tão viciado que continuou batendo fotos e mais fotos. É lógico que tirar foto de alguém sem o consentimento é algo totalmente impróprio, mas ele não dá a mínima para isso, afinal, ele ganha a vida chantageando pessoas. Já é considerado um demônio pervertido mesmo, então por que pararia agora? Sinceramente, ele acha que Sena já sabe que ele tem fotos dela, e como ela não parece preocupada, ele conclui que qualquer filho da puta que ousar reclamar merece se ferrar.

Enquanto reflete, ouve um ronronar sedutor e percebe que, em meio aos próprios pensamentos, estava acariciando os cabelos dela. Hiruma achava a Chibi muito atraente. Gostava da aparência dela, da voz, do jeito de pensar e principalmente daquelas pernas espetaculares que levavam o time à vitória.Quanto mais pensa, mais motivos encontra para gostar. Não era à toa que ela era a “escrava” favorita dele.  E ele termina a sua reflexão dizendo “isso é estranho pra caralho!”. 

Sena ronrona mais uma vez e ele continua acariciando e refletindo  “eu não entendo porra nenhuma de carinho, mas aqui estou eu, acariciando outro ser humano… Mesmo nas memórias da maldita “voz” , isso não é comum.  A voz de merda  namorou a gerente de merda, mas nunca se sentiu confortável fazendo esse tipo de carinho meloso com ela.  Já eu, a  simples ideia de acariciar a gerente além de um abraço lateral já deixava ele travado. Não era que eu não gostasse dela, só não conseguia ser assim com ela”. 

Ele para de acariciar a gata que a mesma faz beicinho e ele sem saber sorrir e pensar “agora quando se tratava desta “gata”, ele não se importava de acariciar-la, colocá-la no colo, tocar seu rosto, dar tapas na bunda de brincadeira ou carregá-la. Simplesmente ele gosta de tocá-la e vai tocá-la sempre que houver oportunidade para isto, este é um prazer indulgente seu. Claro que era algo que preferia guardar para si.”


Cerberus volta e late o código de ferido e ajuda, mais uma vez. No entanto, quando Hiruma coloca o casaco em seu pet, ele verificou  ferimentos e não encontrou nada grave, apenas um arranhão raso na mão e roupas rasgadas. Porém, Cerberus não se engana nessas merdas. Ele analisa a Chibi e suas reações antes, durante e depois do jogo e uma lâmpada acende na cabeça dele. e ele comenta com um sorriso sádico “Não é à toa que a ela transformou o Agon numa cabra…” Aparentemente, a Chibi não fica debilitada nessa época do mês ela fica puta. Não é à toa que a voz de merda entrou em pânico. Tem gente que já morreu por menos.

 Olhando para a Chibi adormecida no colo dele, Hiruma conclui “Enquanto eu der doce, um pouco de carinho e deixar ela correr, tudo se resolve. Só precisa garantir que ninguém a irrite nessa época… ou vou ter que fazer controle de danos” e ele termina comentando “Se bem que qualquer um que irrita a Chibi  merece morrer”.  Ele sorri ainda mais e pensa “Crise resolvida!”, ele bufou e pegou o outro celular, disparando uma mensagem para Shiyuma. Depois disso, soltou “Tch… cedo demais pra essas merdas” Mais uma vez, manobrou a chibi no sofá, dessa vez para que ambos ficassem deitados. Sena, aninhada entre seus braços, enquanto ele inalava o perfume dela como se fosse um calmante raro. Ele logo sente o sono chegar e assim que sente Cerberus se juntar a eles no sofá ele dormiu com um sorriso malandro no rosto.

*************************

Musashi e Kurita estavam tendo uma manhã surpreendente. Na realidade, parecia que tinham entrado numa realidade paralela, porque… de que outro modo poderiam ter visto aquela cena? Kurita se beliscava, incrédulo, enquanto Musashi simplesmente aceitava a ideia de que Hiruma finalmente tinha se tornado um namorado possessivo oficial  em vez de apenas um namorado possessivo sem status. Pensando melhor, conhecendo Hiruma, era bem provável que ele ainda estivesse em negação… ou pior, em completa ignorância dos próprios sentimentos.

Kurita o cutucou e sussurrou “O que a gente faz? Devemos acordá-los?” Musashi respondeu em um sussurro “Não quero morrer, então… não”. Kurita insiste “Mas logo os outros vão chegar… e se eles virem isso?” Antes que Musashi pudesse responder, eles ouviram “Caralho! Vocês não podem ficar quietos, seus filhos da puta?!” Os dois se viraram para encontrar Hiruma e assim que ambos encara, Kurita emudeceu e Musashi teve a mente completamente em branco, sem saber como reagir.

Pois Hiruma estava sentado com Sena no colo, o rosto dela alinhado com o pescoço dele, enquanto sua mão possessiva repousava na cintura dela e se movia de forma nada inocente. Nenhum dos dois deixou de notar isso e Hiruma ainda olhando para a Garota em seu colo perguntou “Por que estão aqui tão cedo?” e Musashi responde “Não é cedo. Já olhou o relógio?” Hiruma para de admirar a garota, arqueou a sobrancelha e desviou o olhar para o relógio na parede e arregalou os olhos, surpreso, como se não conseguisse entender como havia dormido tanto. Tanto Kurita quanto Musashi sabiam que Hiruma sofria de insônia e, muitas vezes, simplesmente não conseguia dormir. Quando conseguia, era no máximo uma ou duas horas  e isto já era lucro. Mas, ao que parecia, Hiruma finalmente tinha tido uma boa noite de sono. Musashi ficou grato, pois se preocupava com a saúde do amigo.

Kurita, por sua vez, parecia completamente feliz e comenta alto “Que bom… estou feliz que você está dormindo sem problemas!” O barulho fez Sena começar a se mexer e dar sinais de que estava acordando. Hiruma lançou um olhar afiado de repreensão para Kurita, que começou a se desculpar rapidamente.Nisso, Sena solta um bocejo adorável e esfrega o rosto como um gatinho. Quando abre os olhos, a primeira coisa que vê é o rosto de Hiruma. Sua reação imediata é sorrir de um jeito doce e amoroso, murmurando “Bom dia, capitão…” Kurita não se contém e grita, emocionado “Tão fofa, Sena-chan!!!” Sena então percebe os dois e lhes oferece o mesmo sorriso radiante e diz “Bom dia, Kurita, Musashi”. O brilho que emana dela mais uma vez faz Musashi perder a mente por um instante e Kurita mergulhar no vazio da felicidade. Ela parecia um verdadeiro anjo, sorrindo e iluminando o mundo ao redor.

Mas, para quem ousasse desviar os olhos de Sena, veria um demônio possessivo os encarando, deixando claro, sem palavras que Continue olhando e pensando no que não deve, e eu mesmo me certifico de que você não terá nem olhos para olhar, nem cérebro para pensar.” A pressão era tão palpável que a dupla só conseguiu soltar um sorriso nervoso, com uma gota de suor escorrendo e a dupla pensou “tão possessivo!”.

Hiruma satisfeito com a reação dos seus dois amigos chama atenção da garota dizendo “Chibi, você me deve” e Sena então volta toda a sua atenção para ele e sem perder a alegria responde “Sim! Vou trabalhar duro e vou compensá-lo, capitão!” Hiruma retruca dizendo “Bom! Agora vai tomar banho. O gordo e o velho vão nos levar para comer”. Sena assente, se levanta do colo dele e começa a se dirigir para o vestiário. Porém, dá alguns passos, para de repente e se vira novamente e diz “Ah, eu quase esqueci... Capitão, antes eu estava muito cansada, mas graças a você estou melhor. Isso pode não significar muito mas... obrigada”. Ela sorri de maneira pura, deixando no ar uma aura de paz e boa vontade. Sena então segue para o vestiário, mas o sentimento continua impregnado no ambiente.

Kurita puxa um lenço e começa a limpar as lágrimas de orgulho e felicidade. Musashi, por sua vez, se sente estupefato, pois Hiruma, o demônio filha da puta está sorrindo, um sorriso sincero, sem malícia  e ambos  pensam “É um milagre!”.Logo depois de Sena se trocar e devolver a jaqueta de Hiruma, ele aponta para Kurita e Musashi e diz “Vocês dois, nos levem a algum lugar legal”. Kurita, emocionado como uma mãe que vê o filho idiota finalmente encontrar a luz, responde “Sim, Hiruma! Devemos comemorar! sua…” Musashi interrompe de maneira casual dizendo “É bom ver que a sua insônia melhorou,realmente devemos comemorar”.Kurita, sem perceber que quase entrega demais, já emenda animado “Eu conheço um lugar muito bacana aqui perto! A comida é deliciosa, não é cara, e além de ter…” Hiruma interrompe e diz “Só nos leva pra lá baleia!” e Musashi pergunta  “E sobre os cavaleiros...?”  O sorriso de Hiruma desaparece por um instante, dando lugar a uma expressão sombria, quase demoníaca. Kurita e Musashi travam, engolem seco. Mas logo o sorriso malandro dele retorna com força total e diz “Vamos fazer um pouco de observação…”

*********************

Monta chega animado, ao local de encontro e diz “Bom dia, Max!!!” Suzuna  animada  responde “Bom dia, Monmon! uh cadê a Sena?” Monta se irrita na hora e bufando responde “Já falei pra não me chamar assim! E… sobre a Sena, ela ainda não chegou? Isso é meio estranho”. Juumonji se aproxima da dupla e cruza os braços e desconfiado diz “Ela deve estar com o Hiruma. Ainda mais porque do nada mudamos o local de encontro…” Juumoni se vira para Mamori e pergunta “Então, por que mesmo temos que estar aqui?”

 Antes dela responder Togano solta na hora “Deve ser mais um plano maligno dele!” e Kuroki completa “Sempre que esse demônio faz algo do tipo é porque algo grande vem aí”. Komusubi não aguenta e grita, “VERDADE!!!”  Suzuna, com uma mão no queixo e pergunta “O que será dessa vez…?” Yukimitsu ajeita os óculos e reflexivo diz “Já tivemos o Death March… o Death Climb… o Death Torneio… e da última vez até um caminhão monstro apareceu”. Monta resmunga  “Hiruma sempre inventa alguma coisa gigante…” O grupo fica em silêncio por um momento, cada um imaginando a próxima loucura. Mamori quebra o silêncio e diz “Eu acho que deve ter a ver com Oujou. Vamos ter muito trabalho pela frente”.

Monta suspira e comenta “Nem me fala… ainda sinto que meus músculos vão me matar depois de tudo com os Naga” e Togano preocupado comenta “E tem aquele cara que derrotou o Taiyo. Não importa como eu penso, as semifinais e a final vão ser de matar…” e Komusubi berra, erguendo o punho “ VENCER!!” Kuroki dá um tapa nas costas dele e completa “Isso mesmo, tampinha! Vamos vencer, não importa o plano assustador que o Hiruma invente! Vamos superar tudo!!” O grupo, animado, grita em coro “É ISSO AÍ!!”

Nesse instante, o barulho fica muito mais alto e uma voz ecoa em um megafone “SEUS PIRRALHOS!!!”. Todos olham para cima e veem um helicóptero sobrevoando, pilotado pelo próprio Hiruma, com Musashi de copiloto, e Sena e Kurita acenando freneticamente. O grupo inteiro, em choque, grita junto “OUTRO HELICÓPTERO?!”  Sena joga uma corda, que Kurita segura firme e Hiruma berra pelo megafone “ CHEGA DE PERDER TEMPO, SUBAM LOGO, TEMOS QUE PLANEJAR NOSSO PRÓXIMO JOGO!!” O grupo começa a subir pela corda e, quando todos já estão dentro do helicóptero, o mesmo se dirige para uma direção.

Enquanto isto, Sena passa alguns binóculos para cada jogador Suzuna se anima e diz “Uau! Que vista maneira!” Monta, espiando pelo vidro, resmunga “De onde esse cara tirou isso agora?!” Musashi, tranquilo, explica “Esse helicóptero é da festa da vitória… o sensei comprou só pra comemorar”. Yukimitsu arregala os olhos e diz “É mesmo! Ele é rico agora!” Kurita coça a cabeça e diz “Bom… ele ERA rico até ontem”.Juumonji se inclina desconfiado e  pergunta “Não me diga que ele apostou em corrida de cavalos de novo?”e Togano solta “Aquele cara não nasceu pra ter dinheiro” e  Musashi dá de ombros e diz “Na verdade, ele apostou na vitória do Taiyo ontem e…”  o  grupo inteiro grita em coro “Que azar!!!”.

Sena bate palmas chamando a atenção e diz “Pessoal! Observem o campo.” e ela aponta em uma direção e os meninos com o binóculo se inclinam para ver. Abaixo, surge um campo de futebol americano com jogadores posicionados e  Monta arregala os olhos e diz “O quê?! Esses caras estão usando os nossos uniformes!” Komusubi aponta e grita “Oujou Também!” e Monta depois de observar bem os participantes abaixo diz “as pessoas que estão no campo elas parecem com certas pessoas, mas ao mesmo tempo não parecem nem um pouco” Uma gota de suor escorre pelo rosto de todos. 

Nesse momento, Hiruma com seu tom cortante diz “Foco, pirralhos!!! Prestem atenção! Essa é a formação defensiva do Oujou…  As cores dividem cada zona de defesa, de forma perfeitamente coordenada. Se vocês não atacarem nas juntas das zonas, vão ser engolidos! e por isso que estamos aqui pois o melhor lugar para ver as cores e olhando de cima. Enfim coloque isto na memória de você de qualquer jeito!” O grupo concorda e fica observando. Enquanto isto Monta pega seus binóculos e observa ao redor e diz “Sena!Olha ali! Sena sorri já sabendo o que o amigo quer dizer e fala “Sim, ali  é o colégio Oujou”.

Imediatamente todo o grupo vira o pescoço na mesma direção e notam Hiruma com um telescópio de alta resolução, focado no ginásio e ele rir e  diz “Como esperado... a segurança tá pesada. Takamine é um osso duro de roer. Mas de alguma forma preciso investigar a balista.”  Musashi  pensativo diz “Em breve vai ser o festival de Oujou talvez tenham uma chance lá” Hiruma dá um sorriso diabólico e diz “Takamine deve estar espumando de raiva. Mas isso é bom pra nós vamos volta velhote” Musashi acena e começa a manobrar o helicóptero, nisto Sena arregala os olhos e surpresa fita uma determinada direção e diz “não pode ser... será que é...?” Suzuna se vira preocupada e pergunta “O que foi, Sena?” Monta olha nervoso e questiona “Algum problema?” Sena, atordoada, só responde  “Ele está chegando”.

O grupo troca olhares confusos, enquanto ela permanece abalada até mesmo depois de pousarem. Já em Deimon, Sena para no campo o olhar fixamente para a  a entrada como se esperasse alguém e  Mamori chega perto, preocupada e pergunta “Sena, o que há de errado?” e Sena com um tom estranho diz “Está vindo…”  e Juumonji levanta uma sobrancelha e pergunta “O que está vindo, afinal?” De repente, a expressão de Sena muda. Ela fica empolgada e diz “É tão rápido!!” O grupo inteiro arregala os olhos ao ver uma nuvem gigantesca de poeira avançando em direção à escola. Sena pula animada com um sorriso radiante e fala “Ele chegou!!”. Antes que alguém pergunte “quem?”, uma voz ecoa por cima da poeira gritando “SENA SWAN!!!”. Sena acenou de volta e foi engolida pela nuvem.O time inteiro gritou em coro “SENAAA!!”.

Quando a poeira finalmente baixou, todos congelaram. Diante deles estava um homem loiro, ajoelhado, segurando as duas mãos de Sena com os olhos em forma de coração.  A própria Sena parecia radiante de felicidade e o grupo explodiu em uníssono “MAS QUE DIABOS…?! QUEM É ESSE CARA?!” Sena, no entanto, parecia resplandecer ainda mais. O homem se levantou, e de mãos dadas com ela, foi guiado até o grupo. Chegando à frente de Hiruma que estava de  péssimo humor,Sena soltou a mão do desconhecido e  brilhando como um anjo, ela apontou para Hiruma e declarou em voz firme “Este é Hiruma Yoichi. Ele é o homem mais destemido, determinado, inteligente, perseverante e leal que eu conheço. Ele adora colecionar armas e sempre transforma o dia de todos em algo emocionante. Todos os dias eu me divirto muito ao lado dele. Este é o homem que eu escolhi seguir de todo o coração e alma… Ele é meu capitão!” Por um momento, todos ficaram em silêncio absoluto.Hiruma, por sua vez, parecia completamente estupefato.

Antes que alguém pudesse falar algo, Sena puxou Monta para a frente e continuou com o mesmo brilho nos olhos falando “Este é Raimon Tarō. Ele é apaixonado pela vida. Pode parecer fraco, mas tem um coração extremamente forte. Ele é gentil, generoso e leal. Quando estou fraca, ele me levanta. Quando estou triste, ele me dá motivo para sorrir. Ele é meu precioso melhor amigo.” Monta estava vermelho da cabeça aos pés, quase sem saber onde enfiar o rosto. Mas, se achavam que Sena iria parar por aí, estavam redondamente enganados.Porque, no instante seguinte, cada Devil Bat recebeu palavras sinceras de carinho e reconhecimento. Eles sempre souberam que Sena gostava deles, mas nunca imaginaram o quanto ela os tinha em tão alta estima. Nem eles mesmos achavam que valiam tanto assim ,mas, ouvindo as palavras de Sena, era impossível duvidar.

Quando todos os Devil Bats terminaram de ser elogiados, Sena se volta para o homem desconhecido. Com um sorriso tímido, como se mostrasse o seu maior tesouro, diz “Eles são os meus preciosos nakamas. Eu finalmente os encontrei, assim como você disse que eu encontraria” O homem sorri de maneira gentil e responde com calma “Bom trabalho, Sena. Eu sabia que você conseguiria” Sena brilhava tanto que todos ao redor ficaram em silêncio, presos ao momento de entendimento silencioso entre ela e o estranho.

Mamori é a primeira a despertar do transe e ela  pergunta “Sena... quem é ele?”,Sena envergonhada, cora e responde “Me desculpem, pessoal. Fui muito rude... Permitam-me apresentá-lo.” Ela faz um gesto elegante para o homem e anuncia “Este é Vinsmoke Sanji. Um cavalheiro leal, sagaz, gentil e letal... que sabe cozinhar todas as maravilhas dos mares. Sanji-san me ajudou a aprimorar a minha corrida antes mesmo de eu entrar em Deimon”. Kurita arregala os olhos, incrédulo e diz “Você está falando... daquele Sanji?!” e Suzuna, intrigada, completa “Nossa por que ele me parece tão familiar...?” e Kurita, agora com estrelas nos olhos, explode “Por favor, me dê um autógrafo!!!” Musashi segura Kurita com calma diz “Calma, amigo... do nada você ficou animado demais. Os jovens são mesmo cheios de surpresas hoje em dia..”.

Mamori leva a mão à boca, em choque, e gagueja “Você está... falando do fundador do Baratie?!” e Suzuna dá um pulo e diz “Meu Deus, não acredito! é ele mesmo!” Juumonji comenta impressionado “Baratie... não é aquele restaurante super incrível?” e Togano acrescenta “Dizem que todos que comem lá ficam encantados!” e Kuroki murmura “Também ouvi falar que é o restaurante que nunca está no mesmo lugar…”e Komusubi, com a boca cheia de vontade, só consegue dizer “Delicioso!!!”e Monta pula de animação e diz “Se for verdade, Isso é MAX incrível!” e Sena confirma, sorrindo com carinho “Eu também fiquei muito surpresa quando o conheci... mas ele é muito legal, e nos tornamos amigos.”

Finalmente, o homem fala com sua voz agradável “É um prazer conhecer os amigos da minha doce e linda Sena-swan. Permitam-me levá-los para um banquete no meu restaurante”. Kurita e Komusubi, em perfeita sintonia, gritam juntos “SIM!!!”. Musashi tentava conter os dois entusiastas de comida, mas o restante dos Devil Bats já estava com os olhos brilhando de empolgação  para desgosto de Hiruma, que observava tudo com a cara fechada, pensando em como acabar com aquela “baboseira”. De repente, a chibi torcedora se colocou na frente de Sena e grita “Um momento aí! Sena, você não pode ir! Você me prometeu!” Sena ficou sem graça, coçando a nuca diz “Desculpe, Suzuna… eu esqueci”. Hiruma nota o pedofilo das sobrancelhas  passa a mão no cabelo de sua chibi e ele quer tanto atirar na mão do babaca mas se controla, o cozinheiro faz uma reverência para a chibi torcedora e diz “Perdão, senhorita. Eu esqueci que você tem escola. Minha proposta foi indevida. Nesse caso, gostaria de convidar todos vocês depois do seu treinamento. Que tal?” 

 Sena virou-se para Hiruma, os olhos brilhando de expectativa e cheio de carinho que francamente ele não sabe lidar e ela pergunta “Hiruma,Podemos ir?” Era óbvio para todos que ela queria ir  e mais óbvio ainda que queria a presença dele. Hiruma bufou, tentando disfarçar o calor do elogio de mais cedo e diz “Tsc… tanto faz. É comida de graça, não é?” O grupo inteiro vibrou “Uooooh! Vamos comer!” Em meio a gritaria a chibi torcedora agarra sua gata e a arrasta pelo braço. Foi então que o pervertido acrescentou “Ah,Sena querida, não se esqueçam de trazer Mihai sama e Shiyuma”  sua gata acena em concordância  então  a gerente de merda se aproxima do pervertido e diz “Senhor Vismonk! Posso levar um amigo também?” O pervertido sorriu de forma benevolente e  respondeu “Claro, senhorita. Eu nunca negaria um pedido de uma dama”.

A gerente deu um pequeno sorriso e correu para dentro da escola para contar ao namorado risonho. O time inteiro estava animado demais para notar a expressão sombria que se formava no rosto do pervertido ,mas ele viu o pervertido o nota e encara com um aviso e  então, o cozinheiro acende um cigarro e se afasta sem alarde.  Ele , semicerrando os olhos e pensa “Hmph… esse cara está aprontando alguma coisa. Melhor eu estar preparado.”.

***********************

  Tudo começou com a criação do clube de torcida de Deimon.Como ela não era aluna oficial da escola, o clube não receberia fundos, então precisava encontrar uma forma de arrecadar dinheiro. ela decidiu fazer o mesmo que fizerá quando o seu irmão idiota fugiu, fotografar e vender as fotos para revistas, pessoas ou eventos. A ideia deu certo. Ela começou a fotografar o time durante os treinos e vendeu as imagens para revistas de futebol americano. As mais requisitadas eram, sem surpresa, as de Hiruma, Kurita e do misterioso Eyeshield 21. Yoo-nii havia proibido a venda de fotos suas, mas ela não se importou: as de Eyeshield vendiam como água e geraram um grande fundo. Uma parte desse dinheiro, claro, Hiruma exigiu para si, mas mesmo assim ela conseguiu acumular bastante.

Ainda assim, sobraram muitas fotos que ela não precisava vender. Por isso, decidiu guardá-las  Sena, em especial, adorava receber registros do dia a dia do clube para colocar no livro de recordações. Foi durante essa organização que ela encontrou uma pequena sequência de fotos de Sena. Na primeira, Sena estava parada, anotando algo. Na segunda, parecia ouvir alguém chamando. Na última, sorria diretamente para a câmera. Era um sorriso bonito, natural, que a deixou entretida por alguns segundos.Tão entretida que se assustou ao ouvir uma voz atrás dela “Quanto?”.

Ela gritou de susto e, ao virar, viu Hiruma Yoichi ali, do nada. O seu coração quase saiu pela boca e tentando manter a calma falei “Yoo-nii… de onde você veio?”Ele não respondeu. Apenas a encarou em silêncio. Ela sentiu algo estranho: normalmente nunca teria medo de Hiruma, mas havia algo errado com ele naquele momento.Ela ainda estava com um pouco assustada e tentando encontrar uma forma de se distrair,do susto e disfarçar o nervosismo, ela perguntou “Yoo-nii, você está perguntando das fotos? Eu vendo a dez cada uma.”Hiruma abriu um sorriso escarnecedor e diz “Vendendo tão barato assim?” Ele puxou das mãos dela as fotos de Sena e diz “Vou dar cento e cinquenta por essas três.” Ela ficou estupefata e perguntou “É sério?!” Num piscar de olhos, a expressão dele voltou ao normal, aquele ar indiferente e seguro de sempre ele apontou pra outras na mesa e disse “vou comprar as outras a dez e se tiver mais fotos similares, venda para mim”. Naquele instante, ela percebeu que um “não” jamais seria aceito. Concordou de imediato, assistindo a Hiruma se afastar, levando apenas as fotos de Sena e deixando todas as outras para trás.

Foi um momento estranho. A partir dali, porém, nunca mais teve problemas para manter o fundo do clube. Continuou trazendo fotos dos jogadores e dos alunos de Deimon, mas notou algo importante: as fotos de Sena eram sempre as mais bem pagas, não importava se ela estava como secretaria ou  de Eyeshield.Ela poderia se sentir incomodada por vender fotos da amiga, mas a consciência estava tranquila. As fotos não tinham nada comprometedor, eram imagens que ela mesma já havia presenteado a Sena antes, e que a própria achava bonitas. Ainda assim, ela sabia que havia algo diferente. O brilho nos olhos de Hiruma ao olhar para aquelas fotos dizia mais do que qualquer palavra.Mas tudo que é bom dura pouco.

Num lindo dia, ela chegou com a última remessa de fotos para Yoo-nii.Ele tirou os olhos do notebook, pegou cada uma e olhou em silêncio. Depois, largou-as sobre a mesa sem qualquer expressão. Ela esperou o pagamento, mas Yoo-nii voltou a digitar, como se ela fosse invisível, ela decidiu arriscar “You nii… meu pagamento?” Ele riu, curto e cruel e respondeu “Não vou comprar”.O grito escapou dela antes que pudesse se conter “O quê?! Por quê?!” Yoo-nii se recostou na cadeira, orgulhoso, e tirou um caderno do bolso. Abriu-o devagar, como quem revela um tesouro, e mostrou uma foto presa ali. Era uma imagem de Sena, sentada no caminho do rio. Ela lembrava bem do momento pois tinha tirado a mesma foto. Mas a foto na mão dele era outra coisa.

Na versão dela, era apenas uma menina distraída, olhando o horizonte.Na versão dele, era uma ninfa etérea diante do pôr do sol, linda e magnética. Um retrato que parecia roubar o ar dos pulmões e ela engoliu seco e falou “Eu… entendi.” Yoo-nii sorriu satisfeito, fechou o caderno como quem guarda uma preciosidade e disse “mais sorte da próxima vez, chibi-líder.” Ela pegou suas fotos de volta, pronta para ir embora, mas ele ainda lançou sua última armadilha dizendo “Uma dica. Primeiro: sou colecionador. Quanto mais raro, mais eu quero…Segundo quando se trata do gato, eu não sou o único colecionador.”

A gargalhada que se seguiu foi cruel, como se soubesse os podres de todos à sua volta. Um arrepio percorreu a espinha dela. Pela primeira vez, ela sentiu que não era apenas uma troca de fotos. Tinha feito um pacto com o demônio e o diabo sempre cobra com juros.Sem pensar, agarrou suas coisas e fugiu de patins, tentando se afastar da risada dele que ainda ecoava em sua cabeça.

  Ela chegou na escola e ainda não era hora de aula e ela ficou apenas ouvindo as o barulho da sala sem saber o que fazer sobre esta nova situação.Nesse momento, uma das meninas de um grupo que fofocava perto dela  exclamou “Oh, meu Deus! De onde você tirou essa foto do Sakuraba-kun?” outra menina comenta “É tão linda… Mas não reconheço de que revista é”. A dona da foto sorriu orgulhosa e respondeu “Claro que não é de revista nenhuma! Esta foto é exclusiva dos membros do fã-clube do Sakuraba-kun. Notem o autógrafo. Ele entregou pessoalmente três cópias a apoiadores e outras duas foram leiloadas para membros especiais. Só existem cinco no total!” Uma das meninas murmura “Que inveja… Eu também queria uma foto exclusiva do Sakuraba-kun…”


As meninas continuaram conversando, mas ela teve uma epifania e um plano começou a tomar forma em sua mente e ela  sussurrou “Uma foto rara e exclusiva… vou testar isso.” No dia em que seu irmão teve aula com Mamori, Yukimitsu e Sena, a ideia tomou forma. Sena e Mamori fizeram cosplay de professoras. As fotos que tiraram foram vendidas com facilidade, convencer os meninos de Deimon a apoiarem o projeto foi simples, já que todos gostavam da brincadeira. Assim, o fã-clube começou a crescer.Ela então reformulou todo o sistema do clube em níveis de apoio, cada um com nome de yokai afinal, “Deimon” tinha esse significado. Para atrair colecionadores, criou uma hierarquia com recompensas e coleções.


  O Nível Kodama era aquele que às vezes torciam por Deimon em jogos sem compromisso sem brindes, no nível Yuki-onna o envolvimento era maior e às vezes ela dava brindes, no nível Kitsune  os membros  doavam uma quantia fixa todo mês e tinham prioridade em pôsteres do time e podiam participar de leilões de fotos. O nível Tengu  era o grupo VIP. Colecionadores que investem muito dinheiro e ganham acesso a fotos exclusivas, além de poderem fazer pedidos específicos e finalmente o nível Nurarihyon o ápice, o único líder supremo o título de Nurarihyon foi ocupado por uma pessoa bem óbvio, mas ela se surpreendeu com os membros de nível Tengu. Eram verdadeiros colecionadores, dispostos a gastar muito por fotos.

 Havia 4 Tengus e o primeiro foi Yukimitsu, apelidado de Tengu por ser o primeiro. Desde a fundação do clube ele já apoiava discretamente e ela pensou que a classificação dele seria de uma Yuki onna, mas Yukimitsu se revelou um fiel comprador de fotos, especialmente depois do leilão da foto de Sena como professora. Ele abriu a carteira sem dó, sangrou bonito, e por um momento ela até se preocupou com Sena… mas logo ficou claro que Yuki Kun era apenas um fanboy dedicado, do tipo que idolatra sem nunca incomodar o ídolo. A segunda era Mamori Anezaki, apelidada de Bela Tengu. Para ela, Mamo-nee sempre foi uma Yamato Nadeshiko: bela, inteligente e elegante, no entanto para o choque dela, ela era uma Siscon e enquanto se tratava disso ela não tinha medo de gastar. Mamori tinha inúmeros pedidos e ideias que eram prontamente anotados para o planejamento do clube.

 O terceiro foi Raimon Tarō, apelidado Tengu Saltador. MonMon era um colecionador religioso e ele colecionava fotos de si mesmo e de Sena como se fossem relíquias sagradas. Sua mesada ia toda em cartas de beisebol e fotos do clube. No entanto, alguns de seus pedidos eram  suspeitos a ponto de ela considerar denunciá-lo ao You-nii e ainda lucrar com isso. Afinal, ninguém pediu para ele se tornar um “macaco pervertido”. O quarto era Juumonji, apelidado de Tengu Guerreiro. Foi o último a alcançar a classificação, mas também o que mais gastou com fotos. Tudo começou quando ele encontrou no chão do clube uma foto de Sena prestes a ser leiloada. Revoltado, quis defendê-la até que ela explicou que Sena sabia de tudo e permitia para ajudar o clube. 

Juumonji se aquietou, mas no dia seguinte voltou dizendo que também queria “ajudar”. Ela pensou que seria apenas um apoiador casual mas ele se revelou um fã leal. Logo estava gastando sem freio, até alcançar o nível Tengu de alto grau, logo abaixo do Nurarihyon. Se houvesse mais de um posto, ele já teria subido. Monji tinha feito poucos pedidos mas às vezes seus pedidos eram um pouco estranhos, ela também estava se preparando para dedura-lo para Yoo-nii.

Enfim, ela estava exultante hoje  seu plano audacioso finalmente tomava forma, exatamente como imaginara no início. Ela levou Sena até a sala do clube de teatro e Sena já acostumada com o processo olha ao redor e comentou “Uau, quantos figurinos… Qual devo usar desta vez?” ela respondeu confiante “esta no vestiário. A roupa já está separada Você só precisa trocar. Deixe os acessórios comigo, eu só preciso  terminar de arrumar o cenário.” Sena parou um instante, desconfiada perguntou “Não é nenhuma daquelas roupas estranhas, né?” Ela se fingindo de inocente responde “Nada disso. São bem normais… só adicionei um toque de fantasia para combinar com a temática da foto.” Sena pura e inocente acredita e vai se trocar. 

Enquanto isso, ela ajustava os últimos detalhes do cenário e ela confabula “A foto de hoje vai ser o resultado dos pedidos de todos os VIPs…Yuki kun queria uma foto de Sena sexy, mas sem ser vulgar.Já Mamo Nee tem muito pedidos mas eu escolhi esta peruca com cabelo longo já que Neesan disse que Sena tinha um cabelo longo antes da marcha ,Monji  pediu  uma foto do rosto bonito de Sena e… as pernas dela, tudo num clique só… Monji está cada dia mais pervertido mas foi uma boa ideia e vou usar, O macaco queria que Sena usa-se vermelho seja na roupa ou no lábios dizendo que seria o máximo da beleza eu fiquei curiosa então decidi usar…Para satisfazer o demônio vou dar um toque único,haverá apenas três cópias... Isso vai tornar as fotos raras o suficiente para incendiar o leilão”. Ela terminou de aprontar tudo e quando entrou no camarim, Sena ainda não havia terminado de se vestir. Mas só de ver o resultado parcial, ela já sabia que iria ganhar muito e com um sorriso ela exclama “Ya-ha!”.

***************************

Na sala de aula, Juumonji estava sentado logo atrás de Sena . Ao lado dela, permaneciam Togano e ao lado dele havia Kuroki. O representante explicava algo importante, mas Juumonji, como de costume, não prestava atenção. Togano, no entanto, parecia estranhamente concentrado, como se estivesse se preparando para um duelo. Kuroki, por sua vez, também prestava atenção, mas não ao discurso. Da posição em que estava, só conseguia ver as costas de Sena. E, mesmo sem ver seu rosto, percebeu que ela parecia divertida. O cabelo curto dela balançava levemente, macio como o de um gatinho fofo, despertando nele um impulso quase incontrolável de tocar.

Antes, quando os fios eram longos, ele já havia feito isso às escondidas algumas vezes, sempre tomado por uma pontada de culpa  mas, como ninguém percebia, continuava. Agora, porém, era impossível. se tentasse, não apenas Sena notaria, mas toda a sala.Para conter o desejo e evitar uma idiotice, Juumonji  pegou o celular, buscando uma distração. Mal desbloqueou a tela, um e-mail novo chegou. O remetente: SUZUNA, Ele franziu a testa e pensou “Ela é rápida… já criou outro catálogo de fotos?”. Curioso, abriu a mensagem.

Assunto: Evento Relâmpago – Três Fotos, Três Destinos

“Ganhamos contra o impossível, e como fã-clube não podemos deixar de comemorar. Por isso, estamos realizando um evento relâmpago. Apenas três cópias da foto ‘A Dama Demônio’ serão leiloadas. Uma imagem única, que reúne os pedidos dos membros mais qualificados.Você, como membro estimado, foi escolhido para participar. Será que essa foto merece estar em suas mãos? O leilão acontecerá hoje, às 12h. O pagamento será feito no momento da entrega. Desejo sucesso… estarei esperando por você lá.”

Juumonji  terminou de ler e apertou os lábios e murmurou “Que diabos… só três cópias?”.O mau humor veio de imediato. Primeiro, não podia sequer tocar no cabelo de Sena. Agora, teria que disputar por uma foto. Desde que fora promovido a Tengu, nunca mais precisará brigar por imagens: Suzuna sempre garantia cópias suficientes para todos os Tengu. O que sobrava, ela leiloava para os Kitsune. Mas por que isso?

 A pergunta martelava em sua mente, ele levantou os olhos do celular e encarou Sena. Ela estava virada para Kuroki, os lábios brilhando como se tivesse acabado de passar batom ou melhor, como se tivesse passado e retirado, restando apenas aquele vestígio sutil que os deixava ainda mais convidativos. O coração de Juumonji acelerou e ele pensa “Que tipo de foto é essa? Por que limitar a quantidade? Será que era… expositiva demais?” Sem querer, sua mente lhe pregou uma peça mostrando a imagem de Sena em um biquíni fazendo o sangue subir direto ao rosto, e ele abaixou a cabeça, vermelho. Foi exatamente nesse instante que Togano se levantou, atraindo todos os olhares. Juumonji agradeceu em silêncio pela distração.

Togano fez uma pequena palestra, o suficiente para desviar a atenção da sala e o acalmando e quando ele terminou, todos pareciam apoiar suas palavras, o representante sugeriu um intervalo antes de retomarem. Enquanto Sena e Kuroki conversavam com Togano, Juumonji aproximou-se dos três, forçou um sorriso e disse “Vou dar uma volta.” Kuroki responde “Não demora. Temos que apoiar o Toga na votação”. Juumonji assentiu e saiu discretamente, ainda tentando se recompor. No banheiro, Juumonji jogou água no rosto e encarou o próprio reflexo e pensou “Não importa que tipo de foto seja. O que importa é que eu quero. o problema é como conseguir?”

Três cópias. Isso só podia significar uma disputa entre os membros da categoria VIP. E se fosse realmente assim, significava que aquele maldito Nurarihyon iria competir. No fim, seriam três fotos disputadas por cinco pessoas… mas se sua suspeita estivesse certa e Nurarihyon fosse mesmo Hiruma, então seria ainda pior: duas fotos para quatro concorrentes. Porque, Hiruma conseguiria uma,se não por dinheiro… ele teria por chantagem. De qualquer jeito, Hiruma já estava um passo à frente e ele fala “Então só preciso ser mais esperto!”Juumonji respirou fundo, no fundo, sabia que estava agindo como um pervertido atrás de uma menina tão pura quanto Sena. Ele poderia ajudar o clube de outras formas. Não precisava se rebaixar ao leilão. Mas desde o momento em que vira aquela foto ele não conseguiu se controlar. Era como uma droga.

Sentia inveja de Monta. O cara era obviamente um Tengu. Sempre exibindo as fotos que comprava, sem parecer um pingo envergonhado. O pior é que fazia tudo soar natural, até amigável. Mostrava as fotos para a própria Sena, elogiando como ela ficava bem nelas.E Juumonji entendia a diferença: Monta estava sempre perto de Sena. Muitas das fotos dele eram naturais, porque ambos apareciam juntos. Isso não soava suspeito mas não era o caso com ele. E esse era seu maior medo: que Sena o achasse estranho. Que ela se afastasse dele. Ele sabia que Sena não era assim. Era doce, gentil, forte. Perdoará até mesmo o cara que tentou atacá-la no primeiro dia de aula. Ela não o viu apenas como um valentão, mas como alguém com potencial para ser melhor.E era por isso que Juumonji não queria arriscar. A amizade de Sena era preciosa demais para ser perdida.

Juumonji verificou a carteira e viu algumas notas amassadas e ele diz “Ridículo, desse jeito não vai rolar!” ele olhou para o relógio e percebeu que ainda faltavam três horas para o leilão. O tempo parecia zombar dele. “Preciso de mais grana…” murmurou, os dentes cerrados. Decidiu correr até a casa de penhor. Qualquer coisa servia. Relógio, tênis, até o celular contanto que tivesse dinheiro suficiente para pagar quando Suzuna entrega a foto, ele saiu da escola apressado, absorto nos próprios pensamentos. Não percebeu que estava sendo observado. Quando deu por si, estava cercado por um grupo de marginais.

Um cara mostrou uma faca enferrujada e diz “Ei, playboyzinho… que tal passar a grana?” Juumonji ergueu os olhos e entediado diz “Huh…?” Outro se aproximou e ostentou uma corrente de ouro, tentando intimidá-lo. Os bandidos riram, certos de que tinham encontrado uma presa fácil. Mas Jumonji sorriu. Não era um sorriso normal. Era um sorriso distorcido, que gelou o sangue de todos ali. Em um segundo, a tensão mudou de lado.Antes que percebessem, Juumonji avançou. Antes ele era apenas um valentão desde, mas agora depois de treinos pesados de futebol, ele era uma máquina de impacto. Os punhos explodiram contra eles com fúria. Um após o outro, os corpos caíram no asfalto.Minutos depois, Juumonji saiu do beco com as mãos cheias: faca, cordões, carteiras, notas amassadas ele pegou tudo o que podia carregar.Parou por um instante, respirando fundo. Então, aquele sorriso retorcido voltou e ele diz “Ya-ha!”

*******************************

Ele sempre foi um nerd. Aprender? Fácil. Mas socializar… era como tentar falar outra língua que nunca entenderia. Ele nunca se encaixava. Era inteligente demais, fraco demais, arrogante demais, nerd demais, esquisito demais.Para ele, era como observar o mundo através de um vidro que o separava das pessoas.Podia ver todos vivendo, rindo, se conectando mas não conseguia atravessar. Era solitário. Era sufocante. Mesmo com o amor de sua mãe e de sua irmã, ele se sentia morto por dentro.Até que um dia tudo mudou. Foi apenas um breve momento.Um instante como o relâmpago que corta o céu.Como um trovão que ecoa dentro do corpo. Com uma simples corrida de cinco segundos o vidro se quebrou.Naquela corrida, ardeu nele algo que nunca havia sentido:um desejo de viver.

Eyeshield era pequeno e frágil e, no entanto, atraía todos ao seu redor. Corria com destemor, como se carregasse uma chama que iluminava os outros.O jogo terminou com a vitoria de Deimon. A torcida explodiu em emoção. Mas ele, mais do que todos, não sabia lidar com aquele fogo novo em seu peito. Num impulso, correu até Eyeshield. A maioria das pessoas talentosas carrega certa arrogância.É isso que as torna fascinantes de longe, mas difíceis de suportar de perto. Eyeshield, porém, era diferente.De longe, ele era lindo de assistir.De perto era ainda mais incrível.Ele temeu ser tratado com desdém, mas Eyeshield foi gentil.Não havia como negar o poder de sua presença, mas em vez de sentir-se esmagado por ela, ele se sentiu acolhido.

Acolhido e inspirado a melhorar, a mudar, a se tornar digno de permanecer naquela luz.Movido por esse desejo, perguntou com toda a coragem que tinha “Eu posso jogar futebol americano?” A resposta foi simples. “Você pode”.E, naquele instante, sua vida mudou para sempre. Quando foi para a entrevista, estava nervoso. Hiruma Yoichi era um gênio, mas também intimidador. Então ele entendeu por que Eyeshield seguia Hiruma. Ficou inquieto com a possibilidade de ser questionado sobre seus motivos; tudo parecia opressor. Ainda assim, não se sentiu sozinho. Aquela entrevista lhe mostrou um pouco de como seria entrar naquele clube e ele adorou. Mais que isso: desejou ser aceito.

O teste da torre, porém, o jogou do paraíso ao inferno. O desespero tomou conta, ele era fraco, ele não iria conseguir. Os pensamentos opressores pesavam sobre ele iria falhar, nunca poderia mudar. Quando estava prestes a ser afogado por essa maré de dúvidas, ouviu “Yumitsu-kun!” Ele olhou. Eyeshield estava ali, fitando-o com fé  e ele ouviu a promessa “Eu estarei esperando você no topo!” , com essas palavras, tudo mudou. As vozes ainda estavam lá, mas Eyeshield o esperava no topo. Ele só precisava subir. E, no final, conseguiu.Estar no clube mudou o modo como ele via o mundo. Cada dia fazia-o sentir-se vivo. Seu time era um grupo diverso, até um pouco esquisito, mas justamente por serem assim ele nunca se sentiu rejeitado.Por isso, a mancha da morte foi tão dolorosa. Naquele momento, descobriu que Eyeshield era uma menina. Talvez devesse ficar desapontado, mas não estava. Eyeshield era incrível, mas Sena era, o extraordinário dentro de um corpo minúsculo e com um espírito indomável. Ele queria segui-la, mas seu corpo o impedia. Quando caiu na chuva e ouviu Hiruma ordenar que o deixassem tudo doeu.
No fundo, sabia que Hiruma não estava o tratando mal. Era o contrário: Hiruma tinha medo de que o mesmo acidente que acontecera com Doburoku-sensei acontecesse com ele. E, naquela ordem brusca, havia uma ponta de gentileza. A prova estava em sua bolsa: dinheiro suficiente para comprar uma passagem de volta, para que pudesse retornar em segurança.Mas ele não queria aceitar. Aceitar significava desistir,significava não jogar ao lado de seus amigos. Significava nunca fazer parte do sonho de todos de chegar ao torneio de Natal. Então ele chorou até perder a consciência, de coração partido.

Quando sua mente começou a voltar, os sentidos vieram aos poucos. Primeiro, a sensação de chuva fria sobre o corpo exausto. Depois, um calor suave por baixo, sustentando-o, embalando seu peso, então percebeu quem o carregava, era ela. Eyeshield… Não…Sena, Ela mais uma vez não o havia deixado para trás. Ainda acreditava nele. Ainda lhe estendia a mão, convidando-o para jogar juntos.Naquele instante, em meio às trevas do desespero, Sena mais uma vez se tornou luz. E ele finalmente entendeu o que sentia: amava-a de todo o seu ser. Muitos poderiam achar que ele estava apaixonado, mas ele era um estudioso. Entendia as nuances das palavras. A palavra amor existe para representar várias formas de amar, e ele analisou a sua. Não era sexual. Não era romântica. Talvez o termo “fraternal” servisse, mas não era suficiente. De todas as formas possíveis, a dele só podia ser descrita como adoração.

Desde a Marcha da Morte, muitas coisas aconteceram. Ele ainda não podia jogar no time principal, mas Suzuna lhe mostrou uma forma de apoiar o time e, ao mesmo tempo, demonstrar sua afeição por Sena sem deixá-la desconfortável. Sua mãe ainda não havia notado nada, mas tinha certeza de que sua irmã já havia descoberto as fotos. Foi assim que ela percebeu suas “atividades extracurriculares”. Ele raramente sabia o que sua irmã pensava a respeito, mas isso não o impedia. Hoje, mais uma vez, ele se deleitaria nessa forma de devoção. Antes do meio-dia já estava pronto, pontual, na sala de informática. Exatamente às doze horas o leilão começou. Logo de cara, Nurarihyon fez uma oferta que ninguém poderia vencer, e a primeira foto foi vendida rapidamente. A segunda rodada foi mais acirrada. A disputa entre ele e o “Tengu Lutador” terminou em derrota, mas isso não o abalou. E quando a terceira rodada começou, ele agarrou a foto tão preciosa E,olhando para a tela do pc ele disse “foi tudo como planejado sou o primeiro a receber a foto” deixou escapar um riso cruel ele diz “Ya-ha!!”

*******************************

Agata Soujirou subiu até o terraço e lá encontrou Hiruma de bom humor, digitando em seu notebook e ele um pouco desconfiado pergunta “Qual é a boa?” Hiruma abriu um sorriso cheio de dentes e responde “Acabei de gastar muito dinheiro em uma foto que nunca vi”. Agata arqueou a sobrancelha e diz “Você caiu num golpe?”. E Hiruma ainda rindo retruca “Se eu dissesse que estou vendendo fotos da gerente vestida de Sailor Moon, o que você faria?”  Agata ficou sério na hora. Puxou a carteira e perguntou “Quantas cópias você tem? Quanto é? Se eu comprar agora, quando vai me entregar?” Hiruma quase gargalhou “Parabéns, você caiu no mesmo golpe”. Agata suspirou, derrotado  diz “Desculpe, você não caiu num golpe. Você realmente é o melhor investidor que existe.” e Hiruma inflou o peito, orgulhoso e comenta “Eu sei. Mas deixa de putaria. O que você quer de verdade?”.

Agata respirou fundo e comentou “O quanto você sabe sobre os meus planos de reforma para Deimon?” Hiruma respondeu sem nem piscar “Muito… E concordo com a maioria. Se não fosse assim, você não teria essa vida fácil.”Agata assentiu e continuou “Eu sei… está tudo indo bem, mas encontrei um problema que preciso resolver. E para vencer esse contratempo… estou solicitando aquele favor que você me deve. Agora.” Hiruma levantou a sobrancelha e diz “Que tipo de problema você tem? Até onde eu sei, o próximo passo é fácil. Vai usar o roteiro do Tsubaki, certo? Ganhar um prêmio no festival de cinema amador devia ser moleza.” Agata assentiu “Eu sei”.Hiruma estreitou os olhos e perguntou “Então qual diabos é o problema?”.

Dessa vez, Agata suspirou fundo e diz “Você sabe como o Tsubaki é… introvertido, mas muito talentoso. Às vezes, talento demais irrita as pessoas. Acontece que não há ninguém que queira filmar o roteiro dele.” Hiruma arregalou os olhos, incrédulo e fala “Tá de sacanagem… que idiota perderia a chance de ser premiado?” Agata sorriu de canto e responde “A burrice é contagiosa, ou você acha que eu desperdiçaria um favor seu, de mão beijada, se tivesse outra opção?” Hiruma riu baixo, aquele risinho carregado de ameaça e divaga “Quanta idiotice… puta merda. Às vezes, a babaquice das pessoas me dá vontade de metralhar todo mundo.” Agata com ironia retruca “Você já faz isso” e Hiruma com convicção diz “É… e vou continuar… Então você quer que eu seja o diretor do roteiro dele?” e Agata fala “Exato. Com a sua direção e a minha trilha sonora, não vamos ganhar só o prêmio de melhor roteiro, vamos levar mais algum pra escola. Afinal… se a vida te dá limões, você faz caipirinha, não é?” Hiruma dá um sorriso afiado e diz “Deixa comigo. Posso fazer isso sem problemas. Me dá o roteiro e relaxe risonho de merda”.

Agata tirou o roteiro da pasta e entregou e diz “Fico aliviado com isso. Só lembra: a equipe de filmagem pode ser de fora, mas os atores precisam ser da escola.”Hiruma riu baixo “Bom… minha equipe de filmagem vai adorar fazer algo diferente de chantagem” Agata gargalhou e diz “Isso vai ser ótimo. Agora deixa eu ir almoçar com a minha namorada… ao contrário de certo demônio solitário.”Ele saiu com um aceno zombeteiro.Hiruma fechou o notebook devagar, resmungando “Desgraçado… ostentando esse relacionamento que devia ser segredo. Isso me irrita. Se quer ostentar, que ostente de uma vez, caralho!”Ele esperou uma resposta em sua mente, mas só o silêncio retornou. Não era a ausência da voz que o incomodava, e sim o que ela poderia estar tramando.Ele tem certeza que esta é a calmaria antes da tempestade e com isto em mente ele sai para a aula.

Hiruma tinha passado o resto da tarde lendo e analisando o roteiro de Tsubaki enquanto a aula rolava Era incrível e, ao mesmo tempo, muito difícil de filmar. Agora ele entendia por que tantos covardes desistiam, não era fácil colocar aquilo em prática. Mas, para ele, os desafios eram justamente o que tornava a vida divertida. E ele estava decidido que  iria filmar, e seria o melhor.Havia uma cena em particular que o deixava especialmente ansioso para gravar.Ele acabou pulando a última aula e foi direto para o clube, ainda pensando em sua “gata”. Quando abriu a porta do luxuoso salão, a encontrou lá: adormecida no sofá, fones de ouvido  que ele reconheceu como pertencentes ao treinador beberrão , enrolada num lençol macio e abraçando um dos bichinhos de pelúcia dos Devil Bats.

Hiruma ficou em dúvida sobre o que era mais estranho: o treinador bêbado saber cuidar de uma garota ou o fato de sua “gata” estar cada vez mais parecida com um felino. Puxou o celular, registrou mais uma foto para sua galeria e, depois de guardá-lo, se aproximou e se sentou no espaço livre ao lado dela e diz “Acorde”. Sena abriu os olhos devagar, ainda sonolenta, e deixou escapar um ronronar suave antes de se sentar e soar  “Boa tarde…” Hiruma a provocou “então chibi você vai conseguir treinar desse jeito?” Ela retirou os fones, dobrou o lençol com cuidado e o deixou de lado no sofá. Então respondeu, com um pequeno sorriso: “Vou sim. Sabe… é meio estranho, mas quando estou com todos os Devil Bats eu me sinto muito bem. Então, não vai ser problema treinar”.

E Hiruma fala “Se está tudo bem, como diabos você acabou nessa situação?” Sena, constrangida, responde “Fui ao banheiro e, quando menos percebi, senti como se muitas pessoas estivessem gritando ao mesmo tempo. Todos os meus sentidos estavam sendo estimulados e, do nada, foi como se Agon tivesse me socado no estômago. Enquanto tentava me recuperar, senti uma dor como se o Shin tivesse me acertado um ataque, e fiquei paralisada, com dor. Foi então que o sensei me encontrou. Ele me carregou até aqui e me deu esses fones com uma música enka muito legal… isso acalmou meus sentidos. Quando dei por mim, estava dormindo  igual hoje de manhã com você”.

Hiruma analisa a situação. Parece que finalmente ele entende por que o pervertido das sobrancelhas está disposto a fazer um acordo desesperado e ir para o Japão. As habilidades da Chibi estão avançando rápido demais, a ponto de ela não conseguir acompanhar. Isso pode ser o motivo de ter chamado Shiyuma para o banquete de mais tarde. Tem algo acontecendo. Ele mesmo não vai admitir, mas está preocupado com sua Chibi. Faz uma nota mental para ficar de olho nela mais do que o normal.Ele faz um gesto de desdém e diz, em voz baixa “Não tem jeito” ele abre um dos braços em um convite para que ela se aproximar e diz “Ve se não acostuma e lembra que eu vou querer um favor em troca”..Pelo canto dos olhos, vê o sorriso dela, como se ele tivesse acabado de lhe dar algum tesouro raro e inestimável. Ele faz um barulho de descontentamento, e ela, como o gato mimado que é, se aproxima. Logo estão em um meio abraço. Ela sorri, enquanto ele sente toda a lateral do corpo encostada nela. Seu braço, apoiado no ombro dela, começa a brincar com os cabelos da garota, que ronrona.

Ele pensa “Francamente, que tampinha mimada é esse gato de merda… Mas, no final, o que posso fazer? Esse gato é meu. Minha máquina de guerra. Minha pet. Ela me pertence. Só minha.” Antes que Hiruma se afundasse demais nos próprios pensamentos, Sena quebra o silêncio e diz “Qual é o trabalho que você quer que eu faça em troca?” Ele ainda brincava distraidamente com os fios do cabelo dela enquanto responde “Naquela vez, quando voltamos da ilha… aquilo que você dançou com o macaco e a baleia-anã era dança do ventre, certo?” Sena confirma “Sim, isso mesmo.”  Ele arqueia a sobrancelha e pergunta “você consegue dançar com uma cobra?” Sena pensa por um instante e responde séria “Depende do parceiro”. 

Hiruma lança um olhar curioso, repetindo como se testasse a palavra nos lábios “Parceiro?”.A garota então se anima e começa a explicar, num verdadeiro discurso sobre a importância da conexão entre os dançarinos. Hiruma ouve, impressionado com a paixão dela pelo assunto, tentando arrancar alguma informação prática daquele falatório. Quando finalmente acha que entendeu a parte essencial, interrompe  cobrindo a boca dela com a mão. Sena arregala os olhos, cala-se de imediato. Ele retira a mão devagar e conclui “Em resumo… pra você dançar, a única exigência é poder escolher o parceiro, certo?”.

Ela assente com a cabeça, sorrindo “Sim. Na verdade, minha mãe era uma dançarina decente. Vi muitas apresentações dela. E a parceira dela era uma linda píton albina… as duas eram amigas de verdade. Quando a mamãe se casou, a cobra também "se casou"  e foi morar em um zoológico perto de Tomoeda com a nova família. Pelo menos foi o que minha mãe me contou quando perguntei.” Hiruma, incrédulo, estreita os olhos e diz “Sério… cada vez que convivo mais com você, tampinha, mais você me surpreende. Então, em resumo, só tenho que te levar pra escolher uma cobra. Precisa ser piton?” Sena responde com calma “Bem, as dançarinas geralmente escolhem cobras não venenosas e bonitas. As pítons têm uma estrutura e um jeito de se enrolar no corpo que é ideal para a dança… mas não precisa ser dessa espécie em particular. Mas… pra quê você precisa disso?”

  “Festival cultural.” Hiruma rebate de imediato e Sena se anima e diz “Vocês vão fazer uma peça? A minha turma vai montar um café cosplay! O Togano estava super animado, até escolheu a minha fantasia.”Hiruma resmunga “Bom saber…A gente não vai fazer peça, vamos produzir um filme. Os três mais votados vão representar a escola no festival de cinema amador.” Os olhos dela brilham e ela fala “Nossa, isso parece incrível! Nunca participei de um filme antes. Vou dar o meu melhor!” Hiruma bufa, desviando o olhar para disfarçar o sorriso leve que surge em seu rosto e diz “Não espero menos de você, tampinha”. Sena sorri de volta, radiante.É nesse momento que Musashi abre a porta, a voz grave ecoando “Sério… que tipo de mensagem o universo precisa mandar pra você entender?”Sena pisca, confusa. Hiruma, com a veia da testa latejando, já engatilha a arma e dispara assim começa mais um treino dos Devil Bats.

**********************

Monta surpreso grita “como é?!Vamos nos infiltrar no festival escolar do Oujoo e tentar descobrir o segredo da balista” Enquanto isto os demais membros olham na mesa o cartaz do 21º Festival de Oujoo e Suzuna comentou “Uau, parece legal!” e Sena acrescenta “O cartaz deles é tão bonito!” Juumonji ponderou e diz “Isso deve funcionar…Se o festival é público, dá para a gente entrar de boa sem ser notado.” e Sena comenta “É verdade, mas acho difícil não sermos reconhecidos. Se o pessoal do Oujoo perceber que somos de Deimon, como a gente procede?”.

O trio, em sintonia, fez um gesto e puxou os bastões de beisebol das costas e Kuroki fala “Não é como se fôssemos lá pra começar confusão” Juumonji insiste “A gente vai só curtir o festival, certo?” e Togano termina “enfim não vai ser problema, né?” Sena, divertida, apontou para os bastões e diz “Então por que estão levando isso?” e os irmão dizem “para emergências” o grupo rir .

 Hiruma limpou  sua arma com calma e resmunga “De qualquer jeito, amanhã eu vou investigar. Vocês vêm ou não?” e todos sorriem e respondem em  coro  “A gente vai!!!” Hiruma  resmunga “Pirralhos festeiros de merda”.Musashi divertido completa “Fechado então amanhã vamos ao festival. E agora temos um banquete nos esperando” o grupo levanta os punhos e grita “VIVA!!!”

***************************

Comentário

  • Eu estou surpresa comigo mesma. Este capítulo acabou crescendo tanto que precisei dividi-lo em dois! No começo, eu mal conseguia escrever uma página… e agora consegui chegar a vinte. Posso ver que estou melhorando, e gostaria de incentivar as pessoas que me acompanham a também criarem suas próprias histórias — sem medo.Afinal, este projeto nasceu para me ajudar a combater a depressão.Não sei qual é o seu problema, mas sei que todos temos algo. Então, deixo aqui meu conselho: dê uma chance à escrita como forma de cura. Quem sabe ela pode ser exatamente o que você precisa.

  • Neste capítulo, quis mostrar um pouco de como o Shin vê o mundo.Talvez eu ainda não tenha feito total justiça a ele, mas está aqui o que consegui transmitir. Como vocês notaram, Shin foi um dos personagens que assumiu forma yokai no capítulo anterior — portanto, é um dos poucos que ainda têm memórias da linha anterior e carregam lamentos. O apelido que Cerberus deu a ele indica que Shin ainda guarda um pouco desse lado yokai.

  • Também construí todo um pano de fundo para Cerberus, o cão mais forte do universo Eyeshield 21.
    No mangá, Hiruma e Kurita encontram Cerberus numa madrugada chuvosa, dentro de uma caixa.
    Não é dito por que ele estava lá, nem por que parecia ferido.
    Além disso, nunca é explicado por que Cerberus é tão forte e inteligente, mesmo sendo criação de Hiruma.
    O número “14”, que dei como o número de irmão de Cerberus, é uma homenagem: é o mesmo número de irmãos que minha mãe teve, e achei que combinava perfeitamente.



  • Os pássaros sem cabeças são referencias a xxx Holic e Tsubasa cHonicle Esses pássaros são responsáveis por coletar almas para a criação de clones, e as sombras são os soldados usados por Fey wang para destruir dimensões e roubar as penas da Sakura.

  • A memória do campo e do desajuste temporal eu peguei de um novel — ainda não lembro o nome, mas assim que recordar, vou citar aqui para dar os devidos créditos.

  • O capítulo 205 do mangá de Eyeshiel

  •  Vinsmoke de Sanji- É óbvio que ele detesta o pai e os irmãos, mas, neste novo mundo, a única forma de preservar a memória da mãe e da irmã seria adotar o nome de família. Por isso, decidi que sim: Sanji continua sendo um Vinsmoke, mesmo neste novo contexto. Além disso, é uma forma de homenagear toda a evolução dele como personagem — mesmo que a Toei continue cortando partes importantes da história.
    Aqui, ele será Vinsmoke, mas um pouco menos “gado”.

  • O termo siscon se refere a uma pessoa que gosta demais da irmã — pode ser algo exagerado ou sutil, dependendo do contexto.

  • Para quem não sabe, Hiruma faz um filme no mangá, antes contra o jogo dos Alie
    Desde então, eu sempre quis colocar algo parecido na história 

💬 Obrigada por lerem — e até a próxima! 💛


Postar um comentário

0 Comentários