No antigo Japão, vivia um doce casal de idosos, que sós no mundo,
desejavam muito ter um herdeiro. Então, certo dia, decidiram peregrinar até
um santuário e orar aos deuses Sumiyoshi
sanjin por um pedido especial: “Nós agradecemos pela nossa
felicidade e pelo nosso grande amor, mas falta-nos um filho para que a nossa
felicidade seja completa! Por favor, ajude-nos… Precisamos de um filho, uma
criatura pequenina para que possamos dividir o nosso amor e carinho”. Algum
tempo depois, para felicidade do velho casal, nasceu um lindo menino, porém, um
pouco diferente.
A desejada criança tinha apenas 3
centímetros, o
pequenino tinha o tamanho da ponta de um dedo adulto. Mas o velho casal não se importou,
eles diziam: “Isso não importa! O Importante é que agora nossa Felicidade
está completa!”. E assim, a minúscula criança foi nomeada “menino
sol” ou “Issun-bōshi”.
O
casal criou a criança com todo amor e carinho, e embora se tornasse um jovem
brilhante e muito respeitado, ele não cresceu além de poucos centímetros,
permanecendo do tamanho de uma polegada.
Certo
dia, “Issun-bōshi desejando que seus pais tivessem uma vida mais digna,
anunciou que desejava tentar a sorte como guerreiro na cidade grande. Apesar da
preocupação, seus pais lhe deram permissão de ir, uma vez que “Issun-bōshi já
havia atingido a maioridade.Para auxiliá-lo em sua jornada, lhe deram como
espada uma agulha de costura com uma bainha feita de palha, como barco, uma
tigela de arroz e, um par de palitos como remos.
“Issun-bōshi
então partiu, caminhou até se deparar com o rio que corria em direção à
capital. Lá, ele colocou sua tigela de arroz na água e embarcou, remando com o
pauzinho por dias a fio, até que finalmente chegou a seu destino. Chegando lá,
correu em diversas direções para fugir das pessoas que por ali andavam e não
ser esmagado por elas. Andou durante horas e horas, até chegar até uma nobre
mansão onde decidiu pedir um emprego ao rico proprietário.
O
pequeno jovem aproximou-se do portão e disse em voz bem alta “Por favor,
senhor, preciso lhe falar!” O guarda olhou e não avistou ninguém à porta.
Novamente ouviu a mesma voz “Senhor! Eu estou aqui embaixo!” Gritou
Issun-boshi. O homem, então o pegou levantando-o na palma de sua mão para poder
enxergá-lo melhor. E ao pequenino foi concedida permissão para ver seu mestre.
Estando
frente ao Senhor feudal, se ajoelhou, inclinando-se em profunda reverência e
disse “Por favor, estou à procura de um emprego, para poder ajudar meus pais”.
Ele assim, prometeu lealdade. O Senhor da mansão instantaneamente gostou da
sincera humildade de Issun-bōshi, fazendo dele seu assistente pessoal.
A
partir de então, o obstinado jovem, percebendo a destreza com que os samurais
do Daimyo exerciam sua arte marcial, começou a treinar. Para tanto, pediu que
forjassem uma katana de acordo com o seu tamanho. Em pouco tempo, o pequeno
guerreiro já demonstrava habilidade nos movimentos que executava com
desenvoltura nata. Todos na
mansão logo passaram a gostar do inteligente e charmoso Issun-bōshi, porém, ninguém mais do que a filha do senhor feudal.
Logo, Issun-bōshi e a bela Hime
tornaram-se grandes amigos, eram constantemente vistos juntos e, atencioso,
ajudava-a em tudo.
Certa tarde, o jovem casal caminhava até o Templo, seguindo pelo caminho
que cruzava a floresta, quando, de repente, dois ogros saltaram a sua frente
bloqueando sua passagem. “Issun-bōshi,
instantaneamente, desembainhou sua espada e, se jogou em cima de seus
atacantes. No entanto, de um só golpe, o monstro o pegou e engoliu, mas o
pequeno guerreiro não se abalou e, com sua katana-agulha, começou a espetar o
estômago da criatura causando-lhe muitos ferimentos internos.
O ogro (Oni), abalado pela dor, cuspiu fora o
jovem samurai. Issunboshi saltou imediatamente acima da sobrancelha e continuou
a atacar o monstro, espetou os olhos, o nariz até que a criatura desmaiasse de
tanta dor. O outro monstro, assistindo o singular duelo, ficou com tanto medo,
que fugiu correndo para a montanha, deixando cair seu martelo mágico (Uchide no kozuchi).
A Hime pegou o martelo e disse “Veja, esse é um objeto mágico! Se
você fizer um pedido, tudo que pedir virá em dobro para você. Peça dinheiro,
comida e tudo virá em abundância!” Issun-bōshi respondeu “Não quero ser rico e nem possuir
comida em abundância. Tudo que eu quero é ser de tamanho normal!” A jovem
assentiu, então sacudiu o martelo dizendo “Cresça! Cresça! Cresça!” E Issun-bōshi começou a crescer
e tornou-se um grande e bonito homem.
Assim
sendo, logo depois deste evento, o valente guerreiro
ficou conhecido em todo território nipônico, tornando-se um famoso samurai. Depois de grandes
realizações e conquistas, Issun-bōshi voltou para a casa de seus velhos pais e
os levou para morarem juntos na sua nova casa na capital. Após algum tempo, o
destemido jovem se casou com a bela filha do Senhor feudal. O outrora,
pequenino, prometeu protegê-la e nunca deixá-la em perigo novamente,
permanecendo sempre ao seu lado.
fonte: https://cacadoresdelendas.com.br/japao/issun-boshi-a-lenda-do-samurai-de-uma-polegada/
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